Em um cenário econômico cada vez mais desafiador, compreender a dinâmica do crédito e dominar ferramentas de gestão pessoal tornou-se essencial. A falta de preparo financeiro compromete metas de longo prazo e gera consequências duradouras na vida de milhões de brasileiros.
O Brasil enfrenta uma realidade alarmante: aproximadamente 77,2% dos brasileiros estavam endividados em setembro de 2024. Em agosto de 2025, 71,7 milhões de pessoas estavam inadimplentes, cifra que representa um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior. Desse total, 29% relataram possuir dívidas em atraso e 12,4% admitiram não ter condições de quitá-las.
Os cartões de crédito lideram as modalidades de débito, com 86,8% dos endividados recorrendo a eles, seguidos por 9% que contraíram crédito pessoal. Mais de um terço da população utiliza mecanismos de crédito com frequência, demonstrando a dependência crescente desse recurso.
A falta de base sólida em finanças pessoais agrava o endividamento. Mais da metade da população (55%) compreende pouco ou nada sobre conceitos essenciais. Entre jovens de 18 a 24 anos, 47% não acompanham suas receitas e despesas, ignorando riscos e oportunidades.
Essa realidade se reflete na percepção da população: embora 55% afirmem dedicar atenção ao tema, 20% acompanham suas finanças de forma quase inexistente. O resultado é descontrole, gastos imprevistos e desconhecimento dos custos reais dos empréstimos.
Originalmente planejado como ferramenta de investimento em bens duráveis, o crédito transformou-se em complemento de renda para despesas diárias. Contas de luz, aluguel e supermercado passaram a ser pagas com empréstimos rotativos e cheque especial.
Esse comportamento expõe o cidadão a taxas de juros absurdamente elevadas no Brasil, muitas vezes superiores a 300% ao ano no rotativo do cartão. A falta de clareza sobre encargos e tarifas impede decisões conscientes e agrava o ciclo de endividamento.
Diversos fatores colaboram para o aumento das dívidas. Entender as raízes desse problema é o primeiro passo para combatê-lo.
A ausência de habilidades financeiras vai além das contas atrasadas. O estresse crônico gerado pelo endividamento compromete a saúde mental, afeta relacionamentos e reduz a qualidade de vida. Famílias se veem presas em uma rotina de preocupação constante.
Sem reserva de emergência, qualquer imprevisto pode ser devastador. A insegurança gera apatia, diminui a autoestima e prejudica a capacidade de planejar o futuro, instaurando um ciclo de ansiedade financeira.
Em contraste, países com programas bem estruturados de educação financeira apresentam população mais preparada para enfrentar desafios, com menor endividamento e maior taxa de poupança. A experiência internacional demonstra que conhecimento gera autonomia.
Mesmo em um cenário desafiador, iniciativas de educação financeira crescem no Brasil. Embora o número de projetos tenha diminuído de 526 em 2017 para 229 em 2024, o formato híbrido expandiu o alcance, chegando a escolas, empresas e comunidades.
Entre os cidadãos que já aplicam os conceitos, 61% mantêm hábito de poupar ou investir sempre que possível. Quase um terço demonstra vontade de poupar, mas esbarra em limitações orçamentárias. O próximo passo é estimular práticas diárias de controle e planejamento.
Transformar conhecimento em ação exige disciplina e ferramentas adequadas. Siga estes passos para começar:
Adotar essas medidas permite construir uma base sólida, reduzir o uso inadequado de crédito e, gradativamente, conquistar liberdade financeira.
A mudança de hábitos não acontece da noite para o dia, mas o primeiro passo, de buscar conhecimento, já é motivo de celebração. Educação financeira transforma vidas e economias, abrindo caminho para decisões mais inteligentes e um futuro mais promissor.
Seja protagonista da sua história financeira. Comece hoje mesmo a estudar conceitos básicos, participe de cursos, compartilhe aprendizados com familiares e amigos. O fortalecimento coletivo multiplicará resultados e permitirá a construção de uma sociedade mais justa e estável.
Referências