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Blockchain e Fintech: Uma Parceria Que Reimagina o Dinheiro

Blockchain e Fintech: Uma Parceria Que Reimagina o Dinheiro

01/11/2025 - 02:50
Marcos Vinicius
Blockchain e Fintech: Uma Parceria Que Reimagina o Dinheiro

Vivemos em um momento histórico no qual a convergência entre blockchain e fintechs não apenas redefine o conceito de dinheiro, mas também abre portas para novas formas de inclusão financeira e inovação sustentável. À medida que instituições financeiras tradicionais repensam seus modelos, startups e investidores encontram terreno fértil para criar soluções ágeis, seguras e escaláveis.

Contexto Regulatório

O Brasil consolidou um dos marcos legais mais avançados para criptoativos, com a Lei nº 14.478/2022 estabelecendo as bases para segurança jurídica para investidores e estimulando práticas mais transparentes no segmento. Em 2023, o Decreto nº 11.563 conferiu ao Banco Central atribuições de regulação e supervisão, enquanto a CVM manteve seu papel sobre ativos que se enquadram em valores mobiliários.

Esse arcabouço segue se fortalecendo com resoluções que entram em vigor em fevereiro de 2026, elevando o patamar de compliance e governança.

  • Criação das SPSVAs para exchanges e corretoras
  • Elevação do capital mínimo exigido
  • Reforço nos controles de prevenção à lavagem de dinheiro
  • Regulamentação de operações como câmbio internacional

Essas medidas visam garantir um ambiente mais robusto para todos os participantes, do investidor pessoa física à grande instituição financeira.

Regulação de Fintechs e Seus Benefícios

Desde 2016, o ecossistema de fintechs no Brasil passou por um ciclo de crescimento acelerado, levando o Banco Central a criar o ambiente regulatório específico, consolidado pela Resolução 4.656/2018. Essas empresas atuam com processos automatizados e estrutura leve, reduzindo custos e ampliando o acesso a serviços financeiros.

  • Redução de custos operacionais
  • Mais agilidade nas operações
  • Transparência e proteção de dados
  • Inclusão financeira ampliada

Para operar legalmente, é necessário atender ao capital mínimo de R$1 milhão e escolher entre duas modalidades principais:

  • Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP): conecta tomadores de crédito a investidores de forma direta.
  • Sociedade de Crédito Direto (SCD): realiza custódia, comercialização de direitos creditórios e securitização.

As regras ainda permitem que fundos de investimento, nacionais ou estrangeiros, participem da gestão dessas fintechs, ampliando oportunidades de captação e diversificação de risco.

Adoção Institucional e Crescimento

Na conferência Blockchain Rio 2025, o Brasil se consolidou como principal hub de criptomoedas na América Latina, reunindo bancos, gestores de ativos e startups para debater regulação, inovação e segurança.

O lançamento em 2022 do IT Now Bloomberg Galaxy Bitcoin ETF (BITI11), fruto da parceria entre Galaxy e Itaú Asset Management, ilustra esse movimento. Com crescimento de mais de 8000% em AUM até 2024 e valorização de 20% no ano de 2025, o ETF demonstra demanda institucional crescente e maturidade do mercado brasileiro.

Infraestrutura, Tokenização e Projetos Inovadores

Para 83% das empresas, blockchain já é infraestrutura essencial para empresas. Ao prover registro distribuído, a tecnologia garante rastreabilidade, imutabilidade e segurança em transações de alta complexidade.

A Zuvia, regulamentada pela CVM e integrada à B3, destaca-se como plataforma de investimento tokenizado. Em 2025, lançou o primeiro token brasileiro negociado no mercado secundário, abrindo caminho para escolher ativos reais fracionados com maior liquidez e transparência.

Projetos como esse promovem acesso ampliado a serviços financeiros, permitindo que investidores de todos os portes participem de oportunidades antes restritas a grandes players.

Casos de Uso: Stablecoins e Pagamentos

Em julho de 2025, a Tether anunciou investimento na Parfin, fintech especializada em infraestrutura de ativos digitais para instituições financeiras. O objetivo é acelerar a adoção institucional do USDT, consolidando a stablecoin como ferramenta de liquidação ágil e confiável na região.

Essa parceria ilustra como as empresas tradicionais de serviços financeiros estão abraçando soluções digitais para otimizar fluxos de caixa, reduzir custos de conversão e proteger-se contra volatilidade.

Como Aproveitar Essa Oportunidade

Para empreendedores e investidores que desejam ingressar nesse cenário dinâmico, algumas recomendações práticas se mostram fundamentais:

  • Estude o marco regulatório e mantenha conformidade fiscal rigorosa e transparente.
  • Invista em segurança cibernética para proteger dados e ativos.
  • Adote padrões de governança corporativa reconhecidos pelo mercado.
  • Busque parcerias com instituições regulamentadas para aumentar sua credibilidade.
  • Explore casos de uso de tokenização para diversificar portfólio.

Essas ações não apenas reduzem riscos, mas também posicionam sua iniciativa para crescer de forma sustentável e atrair investidores qualificados.

Reflexões Finais

A convergência entre blockchain e fintechs tem o poder de transformar completamente o sistema financeiro, tornando-o mais inclusivo, transparente e eficiente. À medida que o Brasil avança em seu marco legal e consolida-se como polo de inovação, surgem oportunidades inéditas para profissionais, empreendedores e investidores participarem de uma revolução silenciosa, mas profunda.

Esteja pronto para se adaptar, colaborar e construir o futuro do dinheiro, onde cada transação reflete confiança, agilidade e tecnologia de ponta.

Marcos Vinicius

Sobre o Autor: Marcos Vinicius

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