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Do Boleto ao QR Code: A Evolução dos Meios de Pagamento com Fintechs

Do Boleto ao QR Code: A Evolução dos Meios de Pagamento com Fintechs

14/11/2025 - 07:15
Bruno Anderson
Do Boleto ao QR Code: A Evolução dos Meios de Pagamento com Fintechs

Ao longo das últimas décadas, o Brasil vivenciou uma transformação sem precedentes em seus meios de pagamento. O surgimento de novas tecnologias, aliado a mudanças regulatórias, pavimentou o caminho para soluções extremamente ágeis e seguras. Hoje, entendemos que cada inovação representa uma peça vital para a construção de um sistema financeiro mais inclusivo e eficiente.

Contexto Histórico e Marcos Regulatórios

Antes da promulgação da Lei 12.865, o ambiente de pagamentos eletrônicos era marcado por incertezas e desafios. Não havia regulação específica para a atuação de novas empresas, o que limitava o surgimento de soluções inovadoras e tornava o setor menos competitivo.

Com a entrada em vigor da lei, o Banco Central ganhou autoridade para supervisionar e autorizar instituições de pagamento, criando um cenário propício para fintechs. Esse marco regulatório foi responsável por um ambiente incerto e desafiador tornar-se campo fértil para ideias revolucionárias.

Métodos de Pagamento em Evolução

Os métodos tradicionais perderam relevância, abrindo espaço para formatos mais dinâmicos e integrados. Enquanto o dinheiro em espécie e os cheques se tornaram cada vez mais raros, novas alternativas ganharam popularidade.

  • Dinheiro em espécie e cheques: uso em declínio acentuado.
  • Transferências via DOC e TED: vistas como obsoletas.
  • Boletos bancários: ainda relevantes, mas em queda.

Em contrapartida, métodos atuais deram ao consumidor liberdade e rapidez:

  • Cartões de crédito e débito, com tecnologia chip e tarja magnética.
  • Leitura de código QR para pagamentos instantâneos.
  • Carteiras digitais acessíveis por smartphone e smartwatch.
  • Near Field Communication (NFC) para compras por aproximação.
  • PIX, o sistema de pagamento instantâneo do Banco Central.
  • Pagamentos por biometria e soluções in-app.

PIX: A Revolução dos Pagamentos Instantâneos

Lançado em novembro de 2020 e implementado em 2021, o PIX redefiniu a velocidade e a conveniência das transações financeiras no Brasil. Funcionando 24 horas por dia, todos os dias, inclusive feriados, tornou-se rapidamente o meio preferido pelos brasileiros.

Segundo dados do Banco Central e de relatórios setoriais, o sistema apresentou um crescimento de 228,9% no uso de 2021 para 2022, ultrapassando outras modalidades em questão de meses. Já em fevereiro de 2021, o PIX era apontado como o meio de pagamento mais utilizado no país.

Além da agilidade, o PIX se destacou pela versatilidade. Em 2024 e 2025, surgiram novas modalidades, como PIX agendado, PIX automático e PIX cobrança, sem falar no futuro PIX internacional. Essas inovações ampliam as possibilidades de uso, consolidando o sistema como peça-chave no sistema de pagamento instantâneo nacional.

Carteiras Digitais e Pagamentos por Aproximação

As carteiras digitais, disponíveis em aplicativos móveis, oferecem ao consumidor a conveniência e segurança de simplesmente aproximar seu dispositivo para concluir compras.

Uma pesquisa recente revelou que 35% dos brasileiros já utilizam carteiras digitais com mais frequência do que suas contas bancárias tradicionais. Esse percentual tende a crescer, impulsionado pela usabilidade e pelas ofertas de cashback e promoções.

Paralelamente, o NFC (Near Field Communication) registra crescimento acelerado. No Brasil, as projeções indicam que pagamentos por aproximação representarão 60% das compras presenciais até 2023, com transações recorrentes em alta de 32,3% no terceiro trimestre de 2025 em comparação ao ano anterior.

Inovações Tecnológicas Complementares

O Open Finance, também conhecido como Open Banking, promove o compartilhamento dos dados bancários dos usuários, fomentando a competição ao permitir que diferentes instituições ofereçam serviços personalizados.

Outra tendência é o Buy Now Pay Later (BNPL), que traz ao boleto de parcelamento a possibilidade de divisão sem juros em prazos de até 12 meses. Essa modalidade, intermediada por fintechs, ganha força em e-commerce e varejo físico.

No universo das criptomoedas, empresas brasileiras já aceitam Bitcoin, Ethereum e stablecoins, usando a tecnologia blockchain elimina intermediários bancários e reduz custos de transação. Esse segmento, embora ainda minoritário, aponta para novos mercados e formas de investimento.

Papel das Fintechs e Estratégias Futuras

As fintechs se tornaram protagonistas na inclusão financeira, oferecendo produtos e serviços mais acessíveis. Durante a pandemia, 15% dos adultos latino-americanos realizaram sua primeira transação virtual graças a soluções inovadoras dessas empresas.

O setor caminha para uma fase de consolidação, com fusões e aquisições previstas para 2025. A regulamentação de Banking as a Service (BaaS) e as novas regras para cartões e PIX devem elevar o nível de competitividade, desafiando pequenos players.

Para as instituições financeiras, é imprescindível conectar soluções isoladas em um ecossistema de meios de pagamento integrado, focando na experiência do cliente e na eficiência operacional. Só assim será possível alcançar uma transformação de pagamentos com foco no consumidor, reduzindo custos e aumentando a adesão.

Projeções Futuras

O futuro dos meios de pagamento no Brasil aponta para maior integração, automação e uso inteligente de dados. Veja algumas tendências:

  • Adoção massiva de inteligência artificial para prevenção a fraudes.
  • Integração total de canais físicos e digitais em uma única plataforma.
  • Expansão do PIX internacional e de pagamentos cross-border.

Em um mundo onde a velocidade e a conveniência definem a experiência do usuário, quem investir em tecnologias emergentes e modelos ágeis estará à frente. O caminho que vai do boleto ao QR Code é apenas o começo de uma jornada que promete tornar o Brasil um dos líderes globais em inovação financeira.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

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