O avanço das fintechs na América Latina está redefinindo o acesso ao sistema financeiro tradicional, proporcionando oportunidades antes inimagináveis para milhões de pessoas.
Desde 2017, a região da América Latina e do Caribe registrou um aumento de 340% no número de fintechs, superando as barreiras geográficas e tecnológicas.
Atualmente, existem mais de 3.000 fintechs operando em 26 países. O Brasil lidera esse movimento, concentrando 24% de todas as startups financeiras da região, seguido de perto pelo México com 20%.
Em 2022, o investimento em fintechs no Brasil ultrapassou a marca de R$ 40 bilhões, um salto de 38% em relação ao ano anterior, conforme relatório da Associação Brasileira de Fintechs. Esse fluxo financeiro demonstra o grau de confiança que investidores nacionais e internacionais depositam em soluções inovadoras.
O sistema financeiro tradicional deixou para trás aproximadamente 57 milhões de brasileiros sem acesso a serviços bancários formais. As fintechs passaram a cumprir um papel crucial ao oferecer alternativas ágeis e desburocratizadas.
O segmento de empréstimos lidera o atendimento a indivíduos não bancarizados, enquanto pagamentos e remessas se destacam no suporte a pequenas e médias empresas subbancarizadas. Essa diversificação amplia o alcance e fortalece economias locais.
Grandes casos de sucesso ilustram como as fintechs transformaram o crédito em um serviço acessível. O Nubank, por exemplo, conquistou mais de 70 milhões de clientes em apenas oito anos, oferecendo soluções de crédito acessíveis e livres de tarifas ocultas.
A Creditas obteve um crescimento de 300% em sua base de clientes em 2022, ao estruturar empréstimos com garantia, tornando o crédito mais seguro e viável para famílias de renda média.
No setor varejista, a Bemol lançou contas digitais que já são usadas por mais de 470 mil clientes, provando que modelos híbridos podem ampliar ainda mais a inclusão.
A pandemia acelerou a adoção de pagamentos digitais em 88% entre 2019 e 2023. O Pix consolidou-se como principal meio de pagamento para 76,4% dos brasileiros em 2024.
Apesar desse avanço, o dinheiro em espécie ainda domina 40% dos gastos mensais de renda baixa, revelando a necessidade de educação financeira contínua e de expansão da infraestrutura digital em áreas remotas.
Os bancos digitais passaram a ser uma porta de entrada para famílias de baixa renda, que hoje têm 35% de probabilidade de ter uma conta em fintech, contra 28% em bancos tradicionais.
Iniciativas de capacitação e educação financeira são implementadas por diversas fintechs para criar confiança e segurança entre clientes iniciantes.
Essas estatísticas evidenciam como a combinação de tecnologia e educação financeira pode gerar impacto social significativo, promovendo autonomia e inclusão.
Vários elementos contribuíram para o salto das fintechs: o apoio governamental, por meio de regulações mais favoráveis; o aumento do acesso à internet e a disseminação de smartphones; e a oferta de interfaces intuitivas que tornam a experiência do usuário mais simples e agradável.
Programas de aceleração, parcerias público-privadas e investimentos em infraestrutura digital são fundamentais para manter esse ritmo de expansão e reduzir as barreiras que ainda persistem.
Por mais que o progresso tenha sido notável, obstáculos ainda limitam a inclusão plena:
Estudos apontam que 35% da população rural brasileira ainda não possui conexão adequada, e cerca de 40% dos indivíduos em países em desenvolvimento não têm conta bancária. Esse cenário reforça a urgência de políticas públicas e iniciativas privadas combinadas.
O modelo de negócios das fintechs deve evoluir continuamente para atender diferentes perfis de clientes, integrando inteligência artificial para análise de risco, expandindo soluções de pagamentos offline e criando produtos adaptados a realidades locais.
Além disso, o fortalecimento da educação financeira digital, com cursos, tutoriais e atendimento humanizado, é essencial para consolidar a confiança do usuário e promover o uso consciente dos serviços.
Finalmente, a colaboração entre startups, instituições financeiras tradicionais e órgãos reguladores pavimentará o caminho para um ecossistema mais robusto, sustentável e inclusivo.
As fintechs não são apenas uma revolução tecnológica—são uma oportunidade de transformação social, capaz de remodelar vidas e comunidades. Ao promover o acesso universal a serviços financeiros, estamos construindo um futuro mais justo e próspero para todos.
Referências