>
Produtos Financeiros
>
Fintechs e o Acesso à Inclusão Financeira: Um Novo Paradigma

Fintechs e o Acesso à Inclusão Financeira: Um Novo Paradigma

18/11/2025 - 16:50
Fabio Henrique
Fintechs e o Acesso à Inclusão Financeira: Um Novo Paradigma

O avanço das fintechs na América Latina está redefinindo o acesso ao sistema financeiro tradicional, proporcionando oportunidades antes inimagináveis para milhões de pessoas.

Crescimento do Ecossistema Fintech

Desde 2017, a região da América Latina e do Caribe registrou um aumento de 340% no número de fintechs, superando as barreiras geográficas e tecnológicas.

Atualmente, existem mais de 3.000 fintechs operando em 26 países. O Brasil lidera esse movimento, concentrando 24% de todas as startups financeiras da região, seguido de perto pelo México com 20%.

Em 2022, o investimento em fintechs no Brasil ultrapassou a marca de R$ 40 bilhões, um salto de 38% em relação ao ano anterior, conforme relatório da Associação Brasileira de Fintechs. Esse fluxo financeiro demonstra o grau de confiança que investidores nacionais e internacionais depositam em soluções inovadoras.

Impacto na Inclusão Financeira

O sistema financeiro tradicional deixou para trás aproximadamente 57 milhões de brasileiros sem acesso a serviços bancários formais. As fintechs passaram a cumprir um papel crucial ao oferecer alternativas ágeis e desburocratizadas.

  • 58% dos entrevistados no Brasil afirmam que as fintechs deram acesso a produtos financeiros antes indisponíveis.
  • Mais de 28% dos usuários abriram sua primeira poupança ou conta de depósito por meio de uma fintech.
  • 57% das startups financeiras têm foco em pessoas com pouco ou nenhum acesso ao sistema bancário.

O segmento de empréstimos lidera o atendimento a indivíduos não bancarizados, enquanto pagamentos e remessas se destacam no suporte a pequenas e médias empresas subbancarizadas. Essa diversificação amplia o alcance e fortalece economias locais.

Democratização do Crédito

Grandes casos de sucesso ilustram como as fintechs transformaram o crédito em um serviço acessível. O Nubank, por exemplo, conquistou mais de 70 milhões de clientes em apenas oito anos, oferecendo soluções de crédito acessíveis e livres de tarifas ocultas.

A Creditas obteve um crescimento de 300% em sua base de clientes em 2022, ao estruturar empréstimos com garantia, tornando o crédito mais seguro e viável para famílias de renda média.

No setor varejista, a Bemol lançou contas digitais que já são usadas por mais de 470 mil clientes, provando que modelos híbridos podem ampliar ainda mais a inclusão.

Inovações e Transformações Digitais

A pandemia acelerou a adoção de pagamentos digitais em 88% entre 2019 e 2023. O Pix consolidou-se como principal meio de pagamento para 76,4% dos brasileiros em 2024.

  • 72% dos usuários relatam economia de tempo nas transações financeiras.
  • 59% adquiriram um melhor planejamento financeiro graças às ferramentas digitais.
  • 53% têm acesso mais fácil ao crédito, antes inacessível pelo sistema tradicional.

Apesar desse avanço, o dinheiro em espécie ainda domina 40% dos gastos mensais de renda baixa, revelando a necessidade de educação financeira contínua e de expansão da infraestrutura digital em áreas remotas.

Empoderamento de Populações Carentes

Os bancos digitais passaram a ser uma porta de entrada para famílias de baixa renda, que hoje têm 35% de probabilidade de ter uma conta em fintech, contra 28% em bancos tradicionais.

Iniciativas de capacitação e educação financeira são implementadas por diversas fintechs para criar confiança e segurança entre clientes iniciantes.

Essas estatísticas evidenciam como a combinação de tecnologia e educação financeira pode gerar impacto social significativo, promovendo autonomia e inclusão.

Fatores Facilitadores do Crescimento

Vários elementos contribuíram para o salto das fintechs: o apoio governamental, por meio de regulações mais favoráveis; o aumento do acesso à internet e a disseminação de smartphones; e a oferta de interfaces intuitivas que tornam a experiência do usuário mais simples e agradável.

Programas de aceleração, parcerias público-privadas e investimentos em infraestrutura digital são fundamentais para manter esse ritmo de expansão e reduzir as barreiras que ainda persistem.

Desafios Persistentes

Por mais que o progresso tenha sido notável, obstáculos ainda limitam a inclusão plena:

  • Baixa qualidade de acesso à internet em áreas rurais e periféricas.
  • Falta de educação financeira, que gera desconfiança em serviços digitais.
  • Barreiras geográficas e sociais que dificultam a adoção em regiões remotas.

Estudos apontam que 35% da população rural brasileira ainda não possui conexão adequada, e cerca de 40% dos indivíduos em países em desenvolvimento não têm conta bancária. Esse cenário reforça a urgência de políticas públicas e iniciativas privadas combinadas.

Caminhos para o Futuro

O modelo de negócios das fintechs deve evoluir continuamente para atender diferentes perfis de clientes, integrando inteligência artificial para análise de risco, expandindo soluções de pagamentos offline e criando produtos adaptados a realidades locais.

Além disso, o fortalecimento da educação financeira digital, com cursos, tutoriais e atendimento humanizado, é essencial para consolidar a confiança do usuário e promover o uso consciente dos serviços.

Finalmente, a colaboração entre startups, instituições financeiras tradicionais e órgãos reguladores pavimentará o caminho para um ecossistema mais robusto, sustentável e inclusivo.

As fintechs não são apenas uma revolução tecnológica—são uma oportunidade de transformação social, capaz de remodelar vidas e comunidades. Ao promover o acesso universal a serviços financeiros, estamos construindo um futuro mais justo e próspero para todos.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fabio Henrique