Em um cenário econômico marcado por altos índices de pedidos de recuperação judicial e taxas de juros elevadas, o score de crédito emerge como um fator determinante para a sobrevivência e o crescimento de empresas e pessoas físicas. Entender sua importância e como melhorá-lo é o primeiro passo para quem busca acesso a condições financeiras mais justas.
Este artigo explora os desafios e as oportunidades gerados pelo score de crédito no Brasil, oferecendo insights práticos para quem deseja fortalecer sua saúde financeira.
O Brasil viveu, em 2024, o maior volume de pedidos de recuperação judicial da história: 2.273 solicitações registradas, um aumento de 61,8% em relação a 2023. As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) lideraram esse movimento, com 1.676 pedidos, representando um crescimento de 78,4%.
Apesar de um ambiente econômico aquecido em alguns setores, a taxa de juros bastante restritiva continua a limitar a capacidade de pagamento de empresas e indivíduos, resultando em mais falências e indisponibilidade de crédito.
O credit scoring é um sistema automatizado que avalia o risco de inadimplência por meio de algoritmos sofisticados. No Brasil, embora não seja utilizado o FICO americano diretamente, o princípio de funcionamento é semelhante: atribuir pontos com base no histórico financeiro.
Nos Estados Unidos, o FICO score varia entre 300 e 850 pontos e considera cinco grandes grupos de variáveis para medir o risco de crédito:
Essas variáveis sinalizam às instituições financeiras a probabilidade de que um solicitante honre ou deixe de pagar suas obrigações futuras.
Nos processos de concessão de empréstimos e financiamentos, o score atua de forma assimétrica na decisão creditícia. Quem fica abaixo do ponto de corte é rejeitado sumariamente, enquanto quem alcança ou supera esse limite segue para análises complementares.
Essa lógica simplifica e acelera decisões, mas pode restringir o acesso de pessoas e empresas que não apresentam um histórico robusto de pagamentos, mesmo que tenham capacidade de adimplir.
As micro e pequenas empresas enfrentam barreiras particulares. Estima-se que 45% das MPEs ficam total ou parcialmente desatendidas ao buscar crédito, sobretudo pela falta de histórico financeiro. Sem score consolidado, muitos negócios são classificados como de alto risco, mesmo quando possuem fluxo de caixa saudável.
Para reverter esse quadro, é fundamental que o empreendedor:
Autoridades como o Banco Central do Brasil utilizam o Sistema de Informações de Créditos (SCR) para monitorar operações de alto risco e preservar o sigilo bancário. Já na Argentina, devedores são classificados de 1 a 5 conforme seu risco de crédito, com base na capacidade de pagamento.
A diversificação de receitas dos bancos e fatores macroeconômicos, como taxa de desemprego, influenciam diretamente a qualidade dos portfólios de crédito. Quanto maior a instabilidade, maiores os riscos de inadimplência.
No Brasil, o ecossistema fintech é o mais avançado da América Latina, oferecendo soluções alternativas de análise de risco que combinam dados transacionais, de identidade e de comportamento digital. Essas inovações permitem avaliar candidatos subatendidos pelo sistema tradicional.
Além disso, a inclusão de informação positiva — ou seja, o registro de pagamentos em dia — tem demonstrado melhorar significativamente o poder preditivo dos modelos de score. Com isso, amplia-se o acesso ao crédito e aprimora-se a qualidade das carteiras dos credores.
O score de crédito é mais do que um número: é um passaporte para oportunidades financeiras. Em um contexto de juros elevados e crescentes pedidos de recuperação judicial, aprimorar o próprio score pode significar a diferença entre estagnar e prosperar.
Para indivíduos e empresários, o caminho inclui:
Assim, é possível não apenas superar barreiras de crédito, mas também construir uma base sólida para o crescimento futuro.
Referências